Verba de gabinete é frequentemente confundida com "salário extra" do parlamentar — mas é, na verdade, um recurso para pagar a equipe. Entenda como funciona.
O que é a verba de gabinete
A verba de gabinete é o valor mensal que cada deputado ou senador tem disponível exclusivamente para pagar os salários da equipe de assessores que trabalha no gabinete — os chamados secretários parlamentares, na Câmara, ou assessores comissionados, no Senado.
O ponto mais importante para entender essa verba: o dinheiro não vai para o parlamentar. Ele é usado como folha de pagamento de terceiros — servidores comissionados, indicados por livre escolha do deputado ou senador, que auxiliam diretamente no trabalho legislativo, tanto em Brasília quanto no estado de origem.
Quanto é a verba de gabinete na Câmara
Na Câmara dos Deputados, o valor da verba de gabinete é de R$ 165.806,07 mensais, atualizado pelo Ato da Mesa 243/2026. Com esse teto, cada deputado pode contratar entre 5 e 25 secretários parlamentares, com salários individuais que variam de R$ 1.710,83 a R$ 25.958,90, conforme a função e a escolaridade exigida.
📊 Dado oficial
Verba de gabinete na Câmara dos Deputados em 2026: R$ 165.806,07/mês, para equipes de até 25 secretários parlamentares Fonte: Portal da Câmara dos Deputados — Ato da Mesa 243/2026
E no Senado?
No Senado Federal, cada senador pode contratar até 12 assessores comissionados, com verba destinada à folha de pagamento dessa equipe. A distribuição dos salários entre os assessores fica a critério de cada senador, respeitando as regras internas da Casa e o teto orçamentário definido pela Mesa Diretora.
Por que essa verba existe
O trabalho de um parlamentar não se resume ao plenário — envolve análise de projetos, atendimento a eleitores, articulação política, assessoria jurídica e de comunicação. Essa estrutura de apoio é o que permite ao deputado ou senador lidar com o volume de trabalho legislativo, especialmente considerando que cada parlamentar pode participar de várias comissões simultaneamente.
O que a verba de gabinete NÃO cobre
É importante diferenciar a verba de gabinete de outras rubricas:
- Não cobre despesas de deslocamento, escritório político ou material gráfico — isso é papel da CEAP (cota parlamentar);
- Não cobre encargos trabalhistas como 13º salário, férias e auxílio-alimentação dos secretários — esses custos são pagos separadamente pela própria Câmara ou Senado, fora do teto da verba de gabinete;
- Não é remuneração do parlamentar — o subsídio (salário) do deputado ou senador é uma verba completamente separada.
Como fiscalizar o uso da verba de gabinete
Os nomes, cargos e salários dos secretários parlamentares contratados por cada deputado são públicos e podem ser consultados no portal de Transparência da Câmara dos Deputados. Esse é um dos pontos de atenção de órgãos de controle, já que já houve casos de contratação de parentes questionados pela opinião pública — embora a prática de nepotismo em cargos comissionados de gabinete seja regulada por normas específicas de cada casa.
Por que acompanhar isso importa
A verba de gabinete é um dos maiores itens de custo de um mandato parlamentar — maior, inclusive, que o próprio subsídio do deputado. Entender para que ela serve ajuda o cidadão a separar debates informados de desinformação sobre "salário de político".
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