"Aprovado por maioria absoluta", "precisa de 3/5 dos votos" — esses termos aparecem o tempo todo no noticiário político. Entenda a diferença entre os tipos de maioria exigidos no Congresso.

Por que existem diferentes tipos de maioria

Nem toda decisão do Congresso exige o mesmo número de votos. A Constituição Federal estabelece quóruns diferentes conforme a importância e o impacto da matéria — quanto mais uma proposta pode alterar a estrutura do país, maior o número de votos exigido para aprová-la.

Maioria simples

É a regra mais comum, usada para a aprovação de projetos de lei ordinários. Significa mais da metade dos votos dos parlamentares presentes numa sessão — não do total de membros da casa. Se 300 deputados estiverem presentes numa votação, por exemplo, a maioria simples exige 151 votos favoráveis.

Maioria absoluta

Exige mais da metade do total de membros da casa, independentemente de quantos parlamentares estão presentes na sessão:

É usada para matérias como: aprovação de leis complementares, derrubada de veto presidencial e abertura de processo de impeachment na fase de instauração pelo Senado.

Maioria qualificada

É o quórum mais alto, exigido para as decisões mais estruturais do país — especificamente as PECs (Propostas de Emenda à Constituição). A proporção exigida é de 3/5 dos membros de cada casa:

Além do número de votos maior, PECs ainda precisam ser aprovadas em dois turnos de votação em cada casa — ou seja, quatro votações no total, todas exigindo os mesmos 3/5.

📊 Dado oficial

Maioria qualificada para PEC: 308 de 513 deputados e 49 de 81 senadores, em dois turnos em cada casa Fonte: Constituição Federal de 1988, art. 60

Comparando os três tipos

Tipo de maioria Base de cálculo Câmara Senado Usada para
Simples Presentes na sessão Depende do quórum presente Depende do quórum presente Projetos de lei ordinários
Absoluta Total de membros 257 de 513 41 de 81 Leis complementares, veto
Qualificada (3/5) Total de membros 308 de 513 49 de 81 PECs (em 2 turnos)

Impeachment: um caso especial

Vale notar que o impeachment presidencial exige um quórum ainda mais alto que a maioria qualificada: 2/3 dos votos — 342 de 513 deputados para autorizar o processo, e 54 de 81 senadores para condenar definitivamente o presidente.

Por que isso importa

Entender esses números ajuda o cidadão a avaliar, quando uma proposta é noticiada, quão difícil é realmente sua aprovação — e por que algumas matérias (como reformas constitucionais) levam meses ou anos para tramitar, enquanto projetos de lei ordinários podem ser votados em uma única sessão.


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Conteúdo educativo produzido pelo Fiscalize, com base na Constituição e no Regimento Interno do Congresso.